29.9.08

Braga nos próximos anos...

Acabei de receber um e-mail sobre o forum bracarae-auguste e mais uma vez obtenho a confirmação [da qual não existe margem para qualquer dúvida]: a ARTE e a CULTURA não vão integrar a dinâmica da cidade de Braga durante os próximos anos.... Os projectos expostos pelo forum demonstram quais as prioridades que os nossos dirigentes políticos entendem como necessidades imediatas e apoiam total e incondicionalmente. E os Espaços Culturais ??? E a tão aclamada descentralização da cultura ??? Fico francamente chocada com o rumo desprovido de valores que este país insiste em tomar. Como o meu pai costuma dizer: "Vivemos num Portugal dos pequeninos". Digo eu, tacanho, inconexo e inculto, norteado pela falta de qualquer referência moral, intelectual ou ética. Fico então à espera de um verdadeiro tsunami socio-cultural que inverta esta - já antecipada - catástrofe dos mega-lobbies. Neste fórum pode-se ter uma ideia sobre o que será BRAGA nos próximos anos. [cimento alicerçado pela EUROpoderosa classe (continuamente) emergente: les nouveaux riches] http://forum.bracarae-avgvste.com/viewtopic.php?f=5&t=6[1] Numa pequena pesquisa encontrei este artigo de um autor brasileiro, Ozorio Fonseca, que faz o retrato fiel daquilo a que assistimos "mesmo ao virar da esquina".Em Manaus , em Braga ou em qualquer infra-desenvolvido cantinho do mundo... --------------------------------------------------------------------------------------------------------- ARTIGO / Manaus dos "nouveaux riches" Por Ozorio Fonseca* em 04/01/2008 ------------------------------ As festas de final foram a prova definitiva de que Manaus está dominada pela cultura dos "nouveaux riches", ou em bom português, dos emergentes econômicos cujo lamentável comportamento social está bem definido no antigo ditado popular que diz: "quem nunca comeu mel, quando come se lambuza". No mundo educado e civilizado, o emergente é uma espécie em extinção, mas em Manaus essa gente ganha prestígio apoiada pela elite dirigente que também é quase toda composta por novos ricos, cuja riqueza não pode ser honestamente justificada. Para o observador atento, é fácil identificar o "nouveaux riche" manauense, alguns deles que, até pouco tempo, eram apenas amanuenses, isto é, modestos funcionários públicos que cuidavam da burocracia mexendo papéis, copiando e registrando documentos com salários compatíveis com a simplicidade de suas funções e dos seus saberes. O salto ornamental / De repente, servidores públicos modestos e empresários pequenos, dão um enorme salto ornamental e emergem como elite econômica, como figuras do "high society". O pior dos emergentes, no entanto, é que eles mudam o volume da conta bancária, mas não mudam a reprovável postura e compostura, fruto da falta de educação doméstica e baixa escolaridade, embora alguns até possuam diplomas universitários conseguidos por conta da "cola" nas provas, ou de boas notas dadas à "trabalhos" ruins feitos na base do copia e cola da internet. Como os professores também não têm boa qualidade, as avaliações premiam a mediocridade intelectual com boas notas até para monografias plagiadas. Antigamente os emergentes mantinham um comportamento "cover" dos bem nascidos, copiando um pouco do glamour, do charme e da educação, mas hoje, como os bons de berço se refugiaram em nichos privados, não é mais possível copiar nem comparar. O resultado é esse mau gosto comportamental que mistura roupa de "griffe" com sandália de dedo e mantém plásticos de fábrica nos assentos dos carros novos que guiam sem saber dirigir e sem perceber a enorme diferença que existe entre uma e outra forma de conduzir veículos. Os "nouveaux riche" e a lei / As demonstrações ostensivas de riqueza são muito evidentes e não entendo porque o Ministério Público não providencia uma investigação sobre a origem do dinheiro dessa gente que enriquece provocando empobrecimento da maioria (enriquecimento sem causa) ou roubando descaradamente (enriquecimento ilícito). O Código Civil e a Lei 8.429 contemplam esses atos ilegais, imorais e que engordam contas bancárias aqui e alhures. As origens e os sintomas / Os novos emergentes, advindos do sindicalismo, assumiram o poder e, empolgados com o mel das mordomias, acabaram se lambuzando por falta de preparo para o novo "status". Essa epidemia pós 2003 se alastrou pela classe política que, em sua maioria, também não possui educação de berço, isto é, princípios morais e éticos, razão que a leva a procurar vantagens adicionais para cumprir a obrigação de representar o povo na função pública regiamente remunerada. E, por conta desse maléfico "é dando que se recebe" veio o mensalão, a propina e o superfaturamento das obras, a gorjeta para receber dinheiro público, tudo permitido pela frivolidade ética e superficialidade moral. Os novos ricos manauenses, por falta de visão do futuro e de padrões morais, vão acabar como os "aristocratas" da borracha, isto é, como "nouveaux pauvres" se a sociedade se dispuser a corrigir os erros eleitorais, ou a justiça resolver incluí-los nas listas policiais. Quando Manaus voltar a ser uma cidade do bem, vai desaparecer a futilidade de "notebooks" nas praças de alimentação dos "Shoppings" transformadas em vitrines para mostrar o brinquedo, já que duas horas da carga das baterias não compensam a gratuidade do "wireless". Vão sumir, também, Pet Shops para gatos de olhos azuis (lentes de contato?), "poodles" com laços de fita, celular "top line" sempre no ouvido falando futilidades, (tecnologia a serviço da imbecilidade), aparelhos dentários até em dentaduras postiças, luz azul e alta nos automóveis, iates nas marinas. Dos bons restaurantes, felizmente, vão desaparecer os que mastigam com a boca aberta e falam alto, bem como as crianças que só se expressam aos gritos, numa abominável falta de respeito a todos e a tudo. E ainda têm os emergentes, em estágios inferiores de riqueza que adquirem carros em 60 prestações mensais e saem pelas ruas como donos da verdade, fazendo suas próprias leis. Mas esse é o assunto da próxima semana. Esse artigo é de responsabilidade do autor. Não reflete a opinião do Portal Amazônia ou do grupo Rede Amazônica. Opiniões devem ser enviadas a ozorio@netium.com.br

2 comentários:

arlimatos disse...

Então e Braga capital da cultura 2000 e não sei quantos!?!... Mete dó!
Adorei o artigo do Ozorio Fonseca, afinal é só mais um exemplo do que se está a passar nesta aldeia global, agora, aparelhos dentários até em dentaduras postiças (desculpem a minha ignorância) mas adorei,adorei!

Uerba disse...

Estamos entregues à bicharada.
Uma nova fauna composta por gente sem princípios nem escrúpulos.